Hannah Arendt (1906-1975) nasceu em Hannover e foi uma filósofa política alemã cuja obra trata de totalitarismo, liberdade, julgamento e ação política. Estudou filosofia em Marburg, Freiburg e Heidelberg, com Martin Heidegger, Edmund Husserl e Karl Jaspers. A IEP descreve seu trabalho como uma reconstrução da natureza da existência política. A sua biografia acompanha a destruição da vida pública na Europa do século XX e o esforço de pensar como a política ainda pode existir depois dessa ruptura.
O que você vai ler neste artigo:
Formação filosófica
Sob orientação de Jaspers, defendeu Der Liebesbegriff bei Augustin, tese sobre o amor em Santo Agostinho concluída em 1929. A formação reúne fenomenologia, filosofia antiga e discussão sobre a experiência humana, e a obra posterior de Arendt volta a esses temas ao tratar de política, liberdade e julgamento.
Ruptura com o nazismo e exílio
Em 1933, quando trabalhava para a Federação Alemã de Sionistas, Arendt foi presa pela polícia política nazista. Depois fugiu para Paris, onde trabalhou na biografia de Rahel Varnhagen, colaborou com a Youth Aliyah, organização que resgatava jovens judeus, e foi internada em Gurs. Na França, ela entrou em contato com redes judaicas de refugiados e com o problema concreto do deslocamento forçado.
Arendt chegou a Nova York em 1941. Nos Estados Unidos, escreveu para o jornal em alemão Aufbau e trabalhou como editora da Schocken Books. Pela Jewish Cultural Reconstruction, que recolhia e restituía bens culturais judaicos saqueados após a guerra, viajou à Alemanha para identificar acervos passíveis de devolução. Também lecionou em Princeton, Berkeley, Chicago, Wesleyan e na New School for Social Research.
Obras centrais
Em Origens do totalitarismo, Arendt examina antissemitismo, imperialismo e totalitarismo como elementos históricos que se articulam na dominação totalitária. A obra tem três partes — antissemitismo, imperialismo e totalitarismo — e descreve o desenvolvimento histórico e as características políticas que aproximam o nacional-socialismo e o stalinismo. Arendt também mostra como massas desorientadas e instituições enfraquecidas criam condições para a violência em escala total. A obra não se limita ao nazismo: ela compara processos históricos e pergunta como formas modernas de dominação se consolidam em regimes distintos.
Em A condição humana, Arendt distingue labor, work e action. Labor corresponde às necessidades biológicas; work fabrica um mundo relativamente durável; action é a iniciativa entre pessoas livres. Em Arendt, action corresponde à pluralidade e depende da presença de outros em espaço público. A política aparece como aparição, palavra, começo e convivência entre diferentes. Para ela, a liberdade é a razão de ser da vida política em comum. A IEP observa que os homens vivem juntos em organizações políticas por causa da liberdade.
Em Entre o passado e o futuro, Arendt reuniu ensaios sobre tradição, autoridade, liberdade e crise moderna. Em On Revolution, comparou as revoluções americana e francesa e distinguiu liberdade política da administração do social. O livro discute como a revolução perde nitidez quando a questão social domina o campo político e as instituições deixam de sustentar o começo comum. A SEP lê a obra também como uma comparação entre formas de fundação institucional. Na leitura da SEP, a revolução americana fica ligada à fundação institucional, enquanto a francesa aparece atravessada pela questão social.
Eichmann in Jerusalem e a controvérsia
Em 1961, Arendt foi a Jerusalém cobrir para o New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann. As reportagens reunidas em Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil nasceram desse trabalho jornalístico. O livro acompanha o julgamento, a posição do governo israelense, o papel dos Conselhos Judaicos e a responsabilidade pessoal em uma ditadura de extermínio.
A recepção criticou o tom irônico e sarcástico do texto, as passagens sobre os Judenräte e a afirmação de que membros dos Conselhos Judaicos teriam colaborado com os nazistas ao fornecer listas de seus compatriotas judeus. Também houve reação à recusa de tratar Eichmann como simples burocrata. A SEP registra que Arendt o considerava plenamente responsável por seus atos e apoiou a pena de morte.
A expressão “banalidade do mal”, em Arendt, aponta para uma incapacidade de pensar e de olhar o mundo do ponto de vista do outro. A formulação descreve linguagem administrativa, clichês e pensamento empobrecido, não a trivialidade do crime.
Projeto final
No fim da vida, Arendt voltou-se para The Life of the Mind, projeto dividido em thinking, willing e judging, em que o foco se desloca da ação política para pensar e julgar. Morreu em 1975 com os dois primeiros volumes concluídos e o terceiro volume inacabado.
Fontes
- Bard College — About Hannah Arendt
- Stanford Encyclopedia of Philosophy — Hannah Arendt
- Internet Encyclopedia of Philosophy — Hannah Arendt
- Key Documents of German-Jewish History — Hannah Arendt, Jewish Cultural Reconstruction Field Reports, 1948–1951, Field Report No. 18, February 15 – March 10, 1950
- OpenLibrary — Hannah Arendt / Origens do totalitarismo
- OpenLibrary — Hannah Arendt / A condição humana
- OpenLibrary — Hannah Arendt / Entre o passado e o futuro
Leia também:
- 15 frases de Gandhi sobre a paz para inspirar e refletir
- 15 frases de Spinoza sobre liberdade para expandir a mente
- 20 frases de Lincoln sobre justiça: lições do grande presidente
- 20 Frases sobre cidadania para refletir sobre direitos e deveres
- 20 frases sobre paz para encontrar equilíbrio e serenidade
- 25 frases sobre democracia para refletir sobre liberdade e cidadania
- 30 Frases sobre liberdade para refletir sobre o sentido de ser livre
- 40 frases sobre justiça para refletir e inspirar
